Dia desses uma colega minha de trabalho veio comentar sobre umas fotos que fiz recentemente. Ela disse que gosta muito das minhas fotografias, mas que essas últimas em particular deixaram-na com um sentimento de tristeza, melancolia, coisa assim; que a posição da menina nas fotos (encolhida), além das cores, dos tons, traziam a ela uma sensação de angústia, um nó na garganta - e então, ela me disse, veio a reflexão de como a fotografia consegue mexer com os nossos sentimentos e nos inquietar.
De imediato, eu disse que gosto muito dessa melancolia nas fotos e me senti leve confessando, tão livremente, algo que eu procurava deixar mais distante das pessoas do meu convívio. Também experimentei o misto de estranheza e graça ao perceber que as minhas fotografias foram capazes de perturbar alguém.
A fotografia sempre significou muito para mim. E quando ela deixou de ser apenas um hobby para abraçar também a minha vida profissional, eu tive que aprender a encontrar uma forma de, quando necessário, apresentar em meu trabalho um meio termo entre meu estilo de fotografia e as preferências do cliente. Aliada a isso, a necessidade de um portfólio que agrade a maioria das pessoas que venha a visualizá-lo, acabou fazendo com que eu não me arriscasse tanto na fotografia quanto eu gostaria.
Eu gosto muito de fotografias cheias de alegria, mas gosto também de fotografias melancólicas. Gosto das fotografias que tenham como ponto central não a(o) modelo e/ou a paisagem, mas o sentimento. Gosto quando a(o) modelo modelo desempenha, na verdade, o papel de atriz (ator) e traz para a fotografia os sentimentos que quero escrever.
E aí que depois de várias conversas e incentivos (beijo, Gi), depois de algum pensar, depois de alguns sorrisos arrancados com palavras ("sempre parece que você transita entre a realidade e a fantasia" ♥ como lidar com esse comentário da Thay?) eu vejo que não há razão para me anular em algo que me diz tanto; que me inquieta. E mesmo que eu tenha que separar a fotografia profissional da pessoal, vou aprender a caminhar por elas e torcer para que, mesmo que de vez em quando, elas duas sejam um caminho só.
(Na foto, Dani, minha modelo-atriz oficial <3)
(Na foto, Dani, minha modelo-atriz oficial <3)


